quinta-feira, 22 de abril de 2010

Prosumer e Sellsumer



Prosumer


Prosumer foi um termo introduzido por Alvin Toffler em “The Third Wave”, escrito em 1980, como um neologismo que une os termos em inglês producer ou professional e consumer (Wikipedia).











Segundo o autor (em Books You MUST Read) este conceito nasce, no início da década de 1970, com os kits do-it-yourself e, rapidamente se transforma numa realidade com as bombas de gasolina self-service ou as caixas multibanco. Cada vez mais se vendem produtos semi-fabricados em que é suposto o consumidor fazer a montagem em casa ou a existência das linhas de atendimento ao cliente que ajudam o próprio a reparar um equipamento por assistência telefónica. São tudo mecanismos que levam o consumidor a especializar-se e a tornar-se profissional, fabricando os seus próprios produtos em casa, sem ser remunerado por esse trabalho.

Um óptimo e relativamente recente exemplo deste ponto de vista do Prosumer é o Ikea que resumidamente nos vende tábuas e parafusos e nós é que fazemos o móvel. Pessoalmente, penso que a maioria dos clientes Ikea sente a montagem da sua nova aquisição como um desafio ou um jogo. Quando decoramos uma casa e não dispomos de muito dinheiro, o Ikea aparece como uma excelente oportunidade, pois podemos mobilar a casa, de forma comparativamente barata e ainda sentimos, no final, aquele gostinho especial de termos sido nós a fazer tudo. Na minha opinião, é também um dos principais argumentos que afasta outros consumidores, que não querem ter trabalho com o seu novo móvel.

O prosumer pode também estar ligado à criação de produtos manufacturados para venda por parte do consumidor: "This urge to connect also has a more entrepreneurial side, marketing specialists say. Many young people say they are losing interest with mainstream consumer goods and are eager to sell their handmade goods to others. The ones that do sell their goods have been labeled 'prosumers,' short for 'producing consumers.’” (Netsuko Segawa, "21st century shoppers," The Nikkei Weekly, December 21, 1999).

Contudo, com as facilidades comunicacionais emergentes, o termo prosumer ganha um novo peso, representando o consumidor que tem um papel importante para as empresas, na concepção de um novo produto. Trata-se de um utilizador profissional, que sabe o que quer, que sabe os problemas que, por exemplo, o antigo modelo trazia, e que comunica com a marca contribuindo para o desenvolvimento de um novo produto que melhor responde às necessidades dos consumidores. Ele tem, por isso, um papel fundamental na vida das empresas que “o” ouvem e pode muitas vezes ser a chave do seu sucesso.

"Sean Pillot de Chenecey, trend forecaster for youth markets, said: 'People are tired, and sick of being ripped-off, but can't get away from brands and branding. As a result they are becoming 'prosumers' — they are demanding their voice be heard.'" (Cordelia Brabbs, "Web fuels consumer activism," Marketing, September 21, 2000).

Por estar normalmente ligado ao desenvolvimento de produtos, o prosumer, é muitas vezes relacionado com as novas tecnologias e por isso visto como semi-profissional. "In the parlance of the tech world, the new generation of digital film equipment is designed for the 'prosumer,' the consumer who thinks of himself as a semi-professional " (Doug Bedell, "Digital video revolution," The Dallas Morning News, October 12, 2000).

Vantagens
- Desenvolvimento de produtos mais próximos das necessidades dos consumidores;
- Resolução de problemas sentidos pelos consumidores em produtos;
- Maior integração do consumidor no desenvolvimento da marca;
- Melhor relacionamento marca-consumidor;
- Fidelização dos clientes.

Desvantagens
- Consumidores podem sentir que estão a “trabalhar de borla”;
- Dificuldades que possam surgir nas empresas no tratamento da informação se forem demasiados feedbacks;
- Para empresas que vendem os produtos semi-feitos pode afastar consumidores que não querem perder tempo com a montagem do produto que consumiram.



Sellsumer

O sellsumer é aquele consumidor habitual que ocupa uma pequena parte do seu tempo a criar algo para vender. Ou seja, não apenas gasta o seu dinheiro, mas também funciona como um empresário em nome individual que vende produtos ou serviços, em part-time, fora do seu período de trabalho, como uma segunda ou terceira fonte de rendimento.

Vários são os objectivos que podem levar um consumidor a tornar-se um sellsumer, como a necessidade de complementar os seus rendimentos, a necessidade de uma actividade extra que, em vez de pagar para a fazer, recebe uma remuneração por isso, ou o desejo de ter poder, como a trendwatching.com afirma ser uma necessidade do ser humano e que, nem que seja por um pequeno período leva ao sentimento de concretização pessoal.

Tal como esta empresa afirma, trata-se de uma tendência em abrupto crescimento, como consequência do estado de crise económica mundial, que se tem vivido nos últimos anos. Isto porque, ser um sellsumer, realmente ajuda a complementar os ordenados, que em tempos de crise têm tendência para diminuir.

After all, if saving is the new spending, then making money—from selling personal assets, properties and creations—outshines saving.” (Trendwatching.com, 2009)

Segundo a mesma fonte, este rápido crescimento prende-se também com o facto dos conhecimentos de Marketing e Gestão estarem cada vez mais profundos e difundidos, encorajando os consumidores a criarem a sua própria marca ou negócio e pelo facto dos produtos manufacturados e vendidos pelos sellsumers terem determinadas características como preços muito económicos, normalmente também mais procuradas em tempos de recessão.

Mas afinal o que vendem os sellsumers? Muitas coisas podem ser vendidas, desde produtos que já não usem, a bijutaria que produzam, passando por alugar um quarto na sua casa ou mesmo fazer biscates, como ir arranjar o computador de alguém no sábado à noite. Tudo depende das disponibilidades, necessidades, qualidades e talentos de cada um. Daí também não ser esperado, tal como a fonte referida acima defende, que todos os consumidores se venham a transformar em sellsumers no futuro.

Obviamente não são considerados sellsumers aqueles que começam o seu negócio na perspectiva de o tornar grande num futuro vindouro, e de poder vir a viver dessa actividade como principal fonte de rendimento.

A internet é um meio que facilita o crescimento desta prática pela facilidade financeira com que se comunica o novo produto ou serviço que se quer vender. Vários são os blogs, por exemplo, que se encontram na net, de sellsumers. Aproveito para dar já o exemplo de um blog de uma colega e amiga minha de trabalho que nos seus tempos livres faz bijutaria e outras pequenas maravilhosas criações: Maria Vilhena.

Relativamente a esta prática, também cada vez é mais visível o crescente aparecimento de lojas que vendem peças para se fazer este tipo de trabalhos, demonstrando a crescente procura.

São diversos os exemplos que a Trendwatching.com apresenta, desta nova tendência, no seu site, como:

- A ParkAtMyHouse, um local online onde podemos reservar um lugar para estacionar o carro diariamente ou num dia específico em que vamos àquele local.

- A Air BnB ou a Roomorama, locais que permitem a disponibilização de um espaço em casa para outras pessoas ficarem em vez de procurarem hotéis, obviamente mais caros.

- Eamon Ryan, Ministro da Energia Irlandês que começou a incentivar as pessoas a venderem os seus excessos de energia produzidos por fontes alternativas como os painéis solares: "Before you received your power from a central source and paid for it. Now you can generate for yourself and be paid for the excess you don’t use. This type of on-site electricity generation will put more money into consumers’ pockets."

- As aplicações para os smartphones que podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa e serem vendidas.

- O ebay.com é também um excelente sítio online para tentar vender coisas que tenhamos, na perspectiva de sellsumer.

Vantagens
- Possibilidade de complementar os rendimentos das pessoas;
- Desenvolvimento de novas criações e possibilidade de estarem presentes no mercado.

Desvantagens
- Criação de um mercado paralelo que muitas vezes é fiscalmente ilegal, e por isso uma grande fuga aos impostos, prejudicando o Estado.


Bibliografia

http://calculemus.org/lect/07pol-gosp/arch/proby-dawne/materialy/waves.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Prosumer

http://blog.ecomm.com.br/tag/alvin-toffler/

http://www.wordspy.com/words/prosumer.asp

http://techcrunch.com/2007/06/15/the-rise-of-the-prosumer/

http://trendwatching.com/trends/sellsumers/

http://www.youngupstarts.com/2009/04/04/the-rise-of-the-sellsumer/

http://blogs.consumerreports.org/reporter/2009/04/buzzword-sellsumer.html


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Event Marketing

Event Marketing is all about facilitating, easing, opening, accelerating, and shortening the sales cycle. That’s it!” (Saget, 2006).




Este vídeo mostra-nos como a Coca-Cola utilizou o Event Marketing para atingir o seu target e cumprir o seu objectivo – ligar a identidade da marca à música.

Promover a marca através de um evento, segundo o estudo EventView 2009, é a técnica que mais acelera e aprofunda os relacionamentos com os clientes. Este estudo teve por base entrevistas a 300 sénior executivos de marketing, e 26% afirmam que o Event Marketing é a disciplina que tem um maior ROI (Retorno do Investimento).

O Event Marketing pode ser desenvolvido para clientes internos ou externos, através de Concertos, Festivais, Conferências, Seminários, Exposições, Convenções, Jogos, entre outros.

Existem dois tipos de Event Marketing, ou a marca patrocina um evento ou é ela própria a organizá-lo. Nenhuma das formas é seguramente mais rentável que a outra, tudo depende de um conjunto de factores, como a importância do evento ou a ligação à marca.

Hoyle (2006) defende existirem os 5 P’s do Event Marketing, sendo eles: Product, Price, Place, Public Relations e Positioning. Focar cada um destes aspectos colocando-os em uníssono é uma premissa essencial para o desenvolvimento de uma estratégia de sucesso nesta área.

Esta técnica contribui para a mobilização da organização para a gestão da marca, na medida em que pode colocar toda a organização a torcer pelo sucesso do evento, fomenta a comunicação interna da empresa e contribui para que os empregados se sintam orgulhosos da associação da marca ao evento (Aaker, 2007).

O facto de haver um contacto mais pessoal e directo com a marca fomenta um relacionamento de proximidade e mais duradouro com o cliente (Saget, 2006). Por outro lado, os eventos oferecem uma experiência nova e diferente aos clientes e também por isso, contribuem para a sua fidelização, pois o evento é um meio tangível de agradar o cliente e de envolvê-lo com a marca.

Através de um evento pode-se ainda demonstrar novos produtos e tecnologias e, se for desenvolvido da forma certa, pode levar a que os media queiram noticiar o acontecimento, o que aumenta a credibilidade para além de promover a associação da marca ao evento (Aaker, 2007).

Acima de tudo, o Event Marketing desenvolve associações de marca, ou seja, permite que, junto de determinados públicos-alvo, haja a associação da marca a valores específicos percebidos pelos consumidores como os valores do evento. Como por exemplo, o vídeo acima exposto da Coca-Cola.

No entanto, é essencial que o evento seja bem planeado, de modo a garantir o seu sucesso, uma eficiente comunicação e respectiva associação à marca, com o intuito de que os consumidores possam sentir que participaram numa experiência que lhes acrescentou algo e que isso se deve à marca.

Vantagens
- Grande retorno do investimento;
- Aumento da notoriedade;
- Forma mais rápida de gerar vendas;
- Grande ferramenta para construir uma identidade para a marca;
- Proximidade com os clientes;
- Construção de relacionamentos mais fortes com os clientes;
- Motivação das equipas internas;
- Desenvolvimento da comunicação interna.


Desvantagens
- Possibilidade do evento ser um fracasso e não ter nenhum retorno ou mesmo gerar uma associação negativa à marca;
- Possibilidade do público-alvo não percepcionar a ligação do evento à marca, e por isso não contribuir para uma melhoria da imagem;
- Principalmente quando se trata apenas de um patrocínio, o público pode não perceber que a marca é que patrocinou o evento;
- Risco de emboscada;
- Investimentos muito elevados.
- Risco de desadequação à identidade da marca.


Exemplos

H&M Choreographs Kids’ Event in San Francisco



Este foi um evento desenvolvido pela H&M. As Flash Mobs estão muito em voga, e nesta ofereciam aos transeuntes, depois de chamarem a atenção com a dança, vales de desconto em roupa de criança.
Our children’s collection this season is all about being playful, colorful and accessible to everyone, and we wanted to do something different and surprising in one of our key markets to show that we are the fun of fashion. Being that our global campaign this year was shot in San Francisco, Union Square was a natural choice.” Steve Lubomski, U.S. Director de marketing da H&M.


Vodafone – Concertos Flash




Super Bock Super Rock



A Super Bock com este festival não só consolida a imagem de marca como vende quantidades inigualáveis de cerveja neste festival, sendo normalmente a única bebida alcoólica disponível no recinto.


Super Bock Surf Fest




Optimus Alive




Estoril Open – 20 anos




Bibliografia

AAKER, DAVID A. & JOACHIMSTHALER, ERICH, “Como Construir Marcas Líderes”, Bookman, Porto Alegre, 2007;

HOYLE, Leonard H., “Event marketing: how to successfully promote events, festivals, conventions and expositions”, Canada, 2002;

SAGET, Allison, “The Event Marketing Handbook”, Dearborn, USA, 2006;

http://www.salescreators.com/Section1/eventmarket.html

http://www.brandweek.com/bw/content_display/news-and-features/editors-pick/e3id86b3c6480b9377fed428a908708a49d

http://www.eventmarketer.com

www.youtube.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Endomarketing

O prefixo Endo vem do grego éndon que significa dentro ou acção interior. Assim, tal como o nome indica, Endomarketing consiste no marketing interno, na aposta nos recursos humanos, como factor chave para o sucesso de uma organização.

Saul Faingaus Bekin, consultor empresarial e autor do termo "Endomarketing" em 1995, define Endomarketing como as “ações gerenciadas de marketing eticamente dirigidas ao público interno (funcionários) das organizações e empresas focadas no lucro, das organizações não-lucrativas e governamentais e das do terceiro setor, observando condutas de responsabilidade comunitária e ambiental.

Endomarketing “é dar ao funcionário educação, carinho e atenção, tornando-o bem preparado e bem informado para que possa tornar-se também uma pessoa criativa e feliz, capaz de surpreender, encantar e entusiasmar o cliente” (Brum, 2000).

Uma correcta definição de uma estratégia de Endomarketing deve passar pela motivação dos trabalhadores, uma boa comunicação interna e um comprometimento entre todos, visando a satisfação do consumidor. Os trabalhadores devem sentir-se satisfeitos por fazerem parte daquela organização, valorizando-a e promovendo a imagem da mesma junto de terceiros.

Paulo Bertone, empresário, consultor de empresas e conferencista, afirma que “Você deve capacitar as pessoas individualmente e em grupo, para que possa então ter uma política interna e consolidada de endomarketing. Dessa forma, você poderá dar prosseguimento às estratégias de marketing duradouras. Por isso, para que as ações de marketing sobrevivam, é fundamental elaborar uma estratégia de endomarketing.

Instrumentos do processo de motivação, segundo Bekin:
• Apelo a parcerias, à cooperação e à lealdade;
• Valorização do indivíduo dentro do seu grupo;
• Integração baseada nos valores e objectivos da empresa;
• Reforço contínuo de uma atitude baseada em valores partilhados;
• Recompensas e prémios dirigidos ao grupo, para que todos beneficiem dos resultados positivos;
• Criação de um ambiente de interacção dentro da empresa;
• Envolvimento dos funcionários no planeamento e na tomada de decisões;
• Estímulo à iniciativa e à atitude criativa;
• Delegação de poderes de acordo com a natureza da função exercida;
• Remuneração adequada.

Para além de formação e comunicação interna, existe uma ferramenta muito importante que fomenta o espírito de equipa, levando os seus colaboradores a sentirem-se parte integrante da organização – o Teambuilding. Trata-se de actividades e jogos que desenvolvem a cooperação e colaboração entre as pessoas, contribuindo para quebrar o gelo, descomprimir, entusiasmar e motivar.


O Endomarketing é pois, mais do que simplesmente garantir uma eficiente comunicação interna ou motivar os trabalhadores, mas sim, apostar nos recursos humanos como se de clientes se tratasse. É vender a imagem da empresa aos seus próprios colaboradores, garantindo que eles se sentem orgulhosos de trabalhar ali. É ter funcionários felizes por se identificarem com a empresa onde passam a maior parte do seu dia. É propiciar um bom ambiente de trabalho que permita abertura para a partilha de criatividade. É envolver todas as pessoas no planeamento e objectivos da organização. É garantir que todos “vestem a camisola” para que isso se reflicta na relação da empresa com terceiros, garantindo uma vantagem competitiva.

Vantagens
- Motivação dos trabalhadores;
- Maior produtividade na empresa;
- Maior abertura para partilha de ideias e criatividade;
- Trabalhadores como veículo de publicidade e de uma boa imagem da organização para o exterior;
- Melhor atendimento ao cliente;
- Vantagem competitiva;
- Maior focalização por parte dos trabalhadores para cumprir os objectivos.

Desvantagens
- Investimento com retorno indirecto;
- Efeitos a médio-longo prazo;



Exemplos

Várias são as ferramentas que poderão ser utilizadas internamente para desenvolver uma estratégia de Endomarketing, como: manuais técnicos e educativos que ajudem os colaboradores a perceber melhor os produtos/serviços comercializados; revista que aborde aspectos internos, podendo passar por colaboradores ou pelas mais elevadas chefias, para que os trabalhadores se sintam mais próximos das pessoas que estão no topo da organização; teambuilding (tal como referido anteriormente); eventos internos que apresentem as novidades da empresa e promovam a socialização; merchandising para os internos; vídeos promocionais; etc…

Este é um exemplo inverso que a Reebok nos dá:


Assim como podem ser feitos vídeos internos que promovam a organização:




Bibliografia

http://www.endomarketing.com

http://www.sinprafarmas.org.br/Atuali_Balconista/prefixos_e_sufixos.htm

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/endomarketing-como-ferramenta-eficaz-para-gestao/13768/

http://www.slideshare.net/mbalboa08/endomarketing

http://comorg-meto.blogspot.com/2009/05/exemplo-de-endomarketing.html

www.youtube.com

terça-feira, 6 de abril de 2010

Marketing Viral

Viral marketing describes any strategy that encourages individuals to pass on a marketing message to others, creating the potential for exponential growth in the message's exposure and influence. Like viruses, such strategies take advantage of rapid multiplication to explode the message to thousands, to millions.” (Wilson, 2005).

Tal como um vírus se propaga, esse é o objectivo de uma campanha de marketing viral, o vírus multiplica-se, atingindo rapidamente um elevado número de pessoas, assim como numa campanha podemos levar a que uma pessoa, num só clique atinja dezenas ou centenas de pessoas.
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Para tal, é necessário que a mensagem (vídeo, som, imagem, jogos, texto etc…) seja suficientemente estimulante para que queiramos partilhar com as nossas redes sociais.

A base do sucesso do Marketing viral está numa necessidade natural do ser-humano, de partilha. Contudo, as pessoas não gostam de se sentir um veículo comercial, pelo que, para que uma campanha se torne viral, tem de oferecer mais do que um simples anúncio.

Para que uma mensagem se torne viral deve cumprir uma série de critérios, segundo Ralph Wilson, são seis: oferecer bons produtos ou serviços (a palavra “grátis” é muito viral), que seja fácil de reenviar (daí o papel importante da internet, que permita reenviar facilmente e de modo gratuito a todos os contactos), escalar facilmente de poucos para muitos, que espelhe motivações e comportamentos comuns, que chegue rapidamente a quem melhor está integrado nas redes sociais (com uma vasta rede de contactos) e com um bom aproveitamento dos recursos disponíveis (a criatividade é muito importante para que uma mensagem se torne viral).

Os temas mais virais são: música, desporto, humor, sexo, violência, amor, enigma, curiosidades (bebés, animais), nostalgia e novidade. Jogos, vídeos personalizáveis, interactivos ou com um bom enredo serão potencialmente virais. A criatividade toma um papel muito importante no rumo que toma a mensagem – se se tornará ou não viral.

Para que um vídeo se torne viral deve seguir alguns critérios: ser curto, ser feito para ser remixado, ter um título e um descritivo apelativos, ter uma boa imagem para thumbnail, ter tags que associem o vídeo a outros muito vistos, responder aos comentários de modo a fomentar a conversa e espalha-lo rapidamente pelo maior número de pessoas. Se se conseguir que seja um dos mais vistos do dia, mais facilmente será o mais visto da semana, e assim sucessivamente.
Para avaliar uma campanha de marketing viral na internet, existem diversas ferramentas disponíveis, dependendo do tipo de mensagem, que permitem medir o seu impacto: número de visualizações, número de cliques, número de banners impressos, tempos de visualizações de vídeos, post click / post view, caminho de navegação e conversações, número de visitas e visitantes únicos, duração das visitas, páginas mais visitadas, páginas de entrada e saída do site e dias da semana e horas de maior acesso.

Vantagens
- Retorno elevado;
- Grande impacto;
- Rapidez;
- Diversidade de ferramentas disponíveis para avaliar e medir o impacto.

Desvantagens
- Elevado risco;
- Impossível de controlar


Exemplos

Email do Hotmail.com

Este é um dos exemplos clássicos de marketing viral. A estratégia assentou em duas premissas simples: serviço de email gratuito e em cada mensagem que o cliente enviava, seguia em baixo o link para criar o email “Get your private, free email at http://www.hotmail.com”. Esta estratégia foi simples e teve um grande retorno, sem que a Hotmail tivesse de fazer muito, em apenas 6 meses passou de 20 mil contas para 1 milhão.


Doritos

Recebi há menos de um mês um email com dois conteúdos e avisava para ver primeiro o filme e só depois o pps. O filme era este:



E o pps era exactamente aquele que os personagens do anúncio abrem. Achei genial, porque apesar de nunca reencaminhar emails deste tipo, uma pessoa acaba por pensar “não custa muito e se acontece?”. E recebi-o de alguém que nunca reencaminha emails. Assim sendo concluo que é uma óptima campanha de marketing viral, porque apesar do vídeo vir incorporado no email, ainda tem no youtube mais de 2 milhões e 400 visualizações.


Olympus



Este também é um vídeo com mais de 2 milhões de visualizações e que apesar de ser um anúncio se torna viral pela criatividade, qualidade e boa execução. Este vídeo apela também à nostalgia e com uma boa banda sonora, cativa o espectador, a ver o vídeo até ao fim e a partilhá-lo pela boa experiência que ofereceu.


The world’s funniest commercial



Como o título e o humor são importantes para que um vídeo se torne viral – mais de 15 milhões de visualizações.


Preservativos Zazoo




Neste, também o título "Funniest Commercial Ever" e o humor são as chaves para o sucesso – mais de 7 milhões e 600 mil visualizações no momento.


Bibliografia

WILSON, Ralph F., “ The Six Simple Principles of Viral Marketing”, Web Marketing Today, February 1, 2005;

ÁVILA, Bruno, “A eficácia do marketing viral como ferramenta publicitária na internet: a análise de um experimento no Youtube”, Heteretopias, 2008;

http://www.daydream.pt/marketing-viral

www.youtube.com

Buzz Marketing

Buzz marketing is an indirect communications method that has been used successfully in the promotion of a wide variety of products, services, and ideas. By identifying and cultivating nonmedia opinion leaders, the technique generates word-of-mouth communications between these early adopters of products and services and the early and late majority of people who tend to follow their lead.” (HOLDFORD, 2004).

Capturing attention of consumers and the media to the point where talking about your brand becomes entertaining, fascinating, and newsworthy. A conversation starter.” (HUGHES, 2005).

As pessoas gostam de ser o centro das atenções, nem que, por um instante. Se tiverem uma boa história para contar ou uma novidade de um produto para aconselhar aos amigos, se essa história for interessante e captar a atenção dos ouvintes, o emissor ficará satisfeito e sentir-se-á realizado, enquanto que os receptores terão tendência a transformar-se em emissores, começando um novo ciclo. Para que tal aconteça “apenas” é necessário dar às pessoas uma boa razão para que elas falem sobre a marca/produto/serviço.


Este estudo da McKinsey demonstra a importância do Buzz nos EUA em 1994. É apenas um marco para nos podermos situar na importância que esta técnica pode ter e no impacto que pode gerar.


We talk about things that make us gasp, things that make us laugh, things that make us wonder, things that make us marvel. We talk about things that shock us, and things that thrill us.” Segundo Hughes, para que as pessoas comecem a falar de um produto é necessário carregar num dos “The Six Buttons of Buzz”: o tabu (mentiras, sexo, humor de casa-de-banho), o invulgar, o ultrajante, o hilariante, o notável e o segredo (tanto a ser mantido como a desvendá-lo).
No contexto certo a estimulação auditiva pode ter mais impacto do que a visual. E o buss marketing baseia-se no boca-a-boca, ou seja, numa mensagem via oral.

A credibilidade de algo aconselhado por um amigo, vizinho, familiar ou colega é muito superior a qualquer outra forma de publicidade porque essa pessoa não está a ser paga para nos falar de um produto/serviço.
A importância de ter um bom produto – apenas se for bom é que as pessoas vão falar. Se a experiência não for positiva pode haver um buzz negativo, prejudicando largamente a imagem do produto.

Devido à tecnologia, o passa-a-palavra está a propagar-se mais do que nunca, entre SMS, emails, redes sociais, chats, sites ou blogs. E, neste momento, com os smartphones, nem sequer é necessário estar à frente do computador para aceder à internet. Assim, o Buzz Marketing ganha crescente importância, potenciada que está a comunicação entre as pessoas.

Assim, para se ter sucesso numa campanha de Buzz Marketing é necessário lançar uma boa razão (para que as pessoas queiram falar dela), nas pessoas certas (pessoas comunicativas e sociais que tenham facilmente um papel de influenciador), num momento bem definido e no local correcto (importância de acertar no contexto certo - a mesma campanha de Buzz pode ser lançada num momento ou local errados e ser um fiasco ou acertar em ambos e tornar-se numa avalanche).


Vantagens
- Custos de investimento reduzidos ou nulos;
- Impacto potencial muito grande pela facilidade de persuasão;
- credibilidade na mensagem;
- Grande eficiência quando a mensagem é transmitida.

Desvantagens
- Dificuldade de começar uma campanha de buzz marketing e de garantir o seu sucesso;
- Tem um risco elevado porque é difícil de controlar (o que é dito, em que contexto, por quem, para quem…);
- Dificuldade em medir ou avaliar uma campanha de buzz marketing.


Exemplos

Os melhores exemplos de buzz marketing estão nas nossas memórias pois quase todos os dias somos emissores ou receptores de uma mensagem que traz consigo um conselho sobre uma loja barata, um serviço de entregas impecável, um baton que não sai facilmente, um restaurante óptimo, etc…, gerando buzz positivo ou, um telemóvel que é novo mas não funciona bem, uma marca de roupa que não tem qualidade, um mau filme, uma seguradora que não nos está a resolver o problema, etc.., gerando buzz negativo.

Tentando desde já criar buzz, partilho convosco uma recente descoberta: os petit gateau da marca Pingo Doce. Nem sou fã nem consumidora assídua deste supermercado. Tenho a ideia, que me foi passada (por buzz) de que o Pingo Doce é um supermercado caro, apesar de nunca ter perdido tempo a pesquisar a veracidade desta informação. Contudo, tive o prazer de experimentar, há um tempo atrás, os petit gateaus deles. Posso apenas dizer-vos que são geniais. Para além de serem de uma qualidade fantástica, com um sabor magnífico, e muito fáceis de fazer (micro-ondas 1 ou 2 minutos), ficam sempre bem feitos se seguirmos as instruções. Por bem feitos entenda-se, abrir o bolo e escorrer chocolate quente de lá de dentro. Chamo a atenção para este facto porque constantemente nos vendem coisas que seguimos as instruções e nunca ficam da forma que deveriam ficar!

Passando agora a um exemplo passado com a Apple há mais de 20 anos…
Em 1984 a Apple deu uma razão ao público para falar da marca. Não através do produto ou dos seus fantásticos atributos, mas sobre uma campanha publicitária que lançou e gerou polémica, acerca da IBM e do livro “1984” em que George Orwell primeiro aborda o assustador conceito de “Big Brother is watching you”.



Bibliografia
HOLDFORD, David A., “Using Buzz Marketing to Promote Ideas, Services, and Products”, Journal of the American Pharmacists Association, Volume 44, Number 3 / May / June 2004;

HUGHES, Mark, “Buzzmarketing: Get People to Talk About Your Stuff”, Penguin/Portfolio 2004-2005;

http://download-it.org/free_files/filePages%20from%20Chapter%202%20%20Live%20buzz%20marketing.pdf

http://www.bzzagent.com/downloads/sales/BuzzonBuzz.pdf

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Product Placement

Product Placement is defined as the featuring of brands, brand logos or brand advertising in films. This may be accomplished by mention of the brand in scripted dialogue, by actual usage of the brand, by visual display via set decoration or by inclusion of formal advertising materials such as commercials and billboards.” (Sapolsky & Kinney, 1994).

O Product Placement é uma técnica de Marketing que, apesar de não ser novidade, tem vindo a ganhar popularidade, principalmente devido aos avanços na tecnologia que permitem ao espectador evitar a publicidade, como os DVD’s ou a Televisão Digital (Redondo & Holbrook, 2008; Ong, 2004).

Como referido na definição de Sapolsky e Kinney, várias são as formas que o Product Placement pode tomar, e como tal, os custos podem variar muito, sendo a forma mais cara, uma grande estrela de cinema ou TV usar, tocar ou falar acerca do produto ou marca em causa.

O investimento que as marcas fazem pode ter a forma de dinheiro para a produção e promoção do filme ou em géneros ou serviços que são disponibilizados em troca da promoção da mesma.

As marcas com as quais a audiência já está familiarizada, como soft drinks e fast food, são as que mais beneficiarão com o Product Placement. Ao invés, marcas em que é necessária mais informação para gerar vendas são as que lucram menos com esta técnica (Sapolsky & Kinney, 1994).

Num estudo, DeLorme e Reid (1999) perceberam que os espectadores mais velhos são receptivos a marcas mais antigas, associando a sentimentos de nostalgia, enquanto para os espectadores mais novos, o Product Placement simboliza pertença e segurança (Ong, 2004).

É comum, respondentes de vários estudos afirmarem que quando estão em supermercados e vêm um produto alvo de Product Placement, lembrarem-se da cena do filme ou programa em que viram esse produto/marca.

Diversos são também os estudos que apontam para o superior nível de aceitação desta técnica, por parte de espectadores mais frequentes. Trata-se de uma técnica usualmente aceite e considerada menos intrusiva do que a maioria das formas de publicidade (Brennan et al, 2004).

Os produtos que geram mais controvérsia quando promovidos através de Product Placement são aqueles que são eticamente menos aceites, como o álcool, o tabaco e as armas. Menos ainda aceites por mulheres (vários são os estudos que concluem acerca desta diferença, como por exemplo Gupta & Gould, 1997).

Sendo os filmes um produto cada vez mais global, os Marketers deveriam ter mais cuidado na definição da estratégia de Product Placement, devido às diferenças culturais, individuais, legislativas e dos próprios produtos. Assim como, no momento da negociação, porque diferentes países apresentam diferentes aceitações à marca/produto e o Product Placement pode não funcionar fora do país de origem do filme.

Redondo e Holbrook efectuaram um estudo acerca das compatibilidades entre tipos de produtos versus estilos de filme e concluíram alguns aspectos interessantes, como por exemplo, que as bebidas alcoólicas são mais apropriadas para filmes com origem nos EUA e com conteúdos dramáticos, ou que produtos para cuidados pessoais deveriam aparecer em filmes sem conteúdos de acção ou aventura, sem thriller, sem sexo mas com romance.

Do ponto de vista dos produtores e realizadores, o Product Placement ajuda a dar realismo às cenas e, como tal, muitas vezes são usadas marcas, produtos ou filmagens com publicidade, por exemplo na rua, para dar realismo, sem que tenha sido a empresa a pagar por isso.

Vantagens
- Os espectadores não passam para a frente ou mudam de canal, de modo a evitar a publicidade;
- Forma de contornar impedimentos legais que restringem a publicidade, como por exemplo com produtos como o tabaco ou o álcool;
- Estudos mostram que se trata de uma técnica com grande retorno;
- O espectador, como não está à espera de publicidade enquanto vê um filme, está menos crítico e, por isso, mais receptivo à persuasão, ou seja com as suas defesas de percepção em baixo;
- Diferenças de aceitação por parte dos indivíduos ao Product Placement, divergindo por idades, género, nacionalidade, cultura, entre outros, permite segmentar e mais facilmente atingir o target;
- Demonstrar o uso do produto/marca num meio realista;
- Permitir aos produtores fazer economias de escala nos custos de produção e comunicação do filme e aumentar a realidade desse filme.

Desvantagens
- Dificuldade de prever o impacto/retorno do investimento e, por isso, de avaliar a eficiência da acção;
- Dificuldade em projectar as audiências;
- Poucos estudos acerca deste meio;
- Os filmes são normalmente vistos apenas uma vez pelas pessoas, pelo que é ineficiente em termos de frequência;
- Implicações éticas do Product Pplacement - segundo alguns autores, é uma forma de persuasão do subconsciente, sem problemas para produtos normais, mas pouco ético quando se trata de armas, tabaco ou álcool;
- Dificuldade na definição de uma estratégia local, sendo que os filmes, provavelmente serão vistos noutros países;
- Possibilidade da marca ser editada através do filme;
- Risco da marca não ficar bem retratada ou com uma imagem pouco clara na definição do filme;
- Lacuna na definição e selecção da audiência.



Exemplos


Product Placement no cinema:



Estes filmes promovem mais marcas mas estas são as apanhadas nesta montagem:
Sexo e a Cidade: Louis Vuitton, Bag Borrow or Steal, Channel, Starbucks, Sprint, LG
Super-Homem: Marlboro (um famoso caso de product placement porque a Marlboro não tinha aqueles camiões por não ser permitido e construe-o propositadamente para o filme) e a Coca-Cola que o painel luminoso ajuda a destruir um dos vilões
Casino Royale: Sony Ericsson, Bravia, Ford, Omega
Homem-Aranha: Dr Pepper, Carlsberg, X Cingular, TDK, Prudential, Samsung, Suntory Whisky
I am Legend: Ford Mustang, Ford Taxi
Transformers: iPod, HP, Porsche, ebay, Panasonic, Burger King, Chevrolet, Apple
Bad Boys 2: Miller, Ferrari
Homem de Ferro: Burger King


Contudo, o Product Placement não é usado só no cinema, mas também, por exemplo, em vídeo clips de música...


...assim como em Vídeo Jogos:




Bibliografia


BRENNAN, Stacey, ROSENBERGER III, Philip J. and HEMENTERA Veronica, “Product Placements in Movies: An Australian Consumer Perspective on their Ethicality and Acceptability”, 2004, Marketing Bulletin, 15, Article 1;

DELORME, Denise E. and REID, Leonard N., “Moviegoers Experiences and Interpretations of Brands in Films Revisited”, 1999, Journal of Advertising, Volume XXUIII, Number 2;

GOULD, Stephen, J., GUPTA, Pola B. and GRABNER-KRAUTER, Sonja, “Product Placements in Movies: A Cross-Cultural Analysis of Austrian, French and American Consumers’ Attitudes Toward This Emerging, International Promotional Medium”, 2000, Journal of Advertising, Volume XXIX, Number 4;

GUPTA, Pola B. and GOULD, Stephen, J., “Consumers’ Perceptions of the Ethics and Acceptability of Product Placements in Movies: Product Category and Individual Differences", 1997, Journal of Current Issues and Research in Advertising, Volume 19, Number 1;

ONG, Beng Soo, “A Comparison of Product Placement in Movies and Television Programs: An Online Research Study”, 2004, The Haworth Press;

REDONDO, Ignacio and HOLBROOK, Morris B., “Illustrating a systematic approach to selecting motion pictures for product placement and tie-ins”, 2008, International Journal of Advertising, 27(5), pp. 691-714;

SAPOLSKY, Barry S. and KINNEY, Lance, “You oughta be in Pictures: Product Placement in the top-grossing films of 1991”, 1994, Florida State University.

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