segunda-feira, 29 de março de 2010

Marketing de emboscada

Segundo Dean Crow e Janet Hoek em “Ambush Marketing: A Critical Review and Some Practical Advice” Sandler and Shani (1989) foram os autores que primeiro discutiram o Marketing de Emboscada, baseando-se num caso em que uma marca se tenta passar por patrocinadora de um evento apesar de não o ser. Mais tarde, Meenaghan (1994) desenvolve uma definição para o conceito como: “the practice whereby another company, often a competitor, intrudes upon public attention surrounding the event, thereby deflecting attention toward themselves and away from the sponsor”.

Marketing de Emboscada ou Ambush Marketing é então uma técnica através da qual uma marca se promove em eventos, sem custos com patrocínios e desviando a atenção do patrocinador oficial. Muitas vezes esta estratégia é utilizada pelos concorrentes dos patrocinadores oficiais. Tem por base uma estratégia oportunista, na qual o objectivo é tirar partido de situações em que, com um mínimo custo se podem alcançar grandes resultados.

Tal como com os Patrocínios, com o Marketing de Emboscada, é essencial que o contexto seja correctamente escolhido para que a associação da marca ao evento faça sentido e seja memorizada pelo consumidor.

Trata-se de uma técnica que gera controvérsia pois, apesar de não haver legislação que a proíba, pode ser considerada por muitos como uma acção sem ética. Contudo, tem sido utilizada nas últimas décadas por grandes marcas, tal como daremos exemplos mais à frente, devido à sua potencial eficiência.

Várias são as formas que o Marketing de Emboscada pode tomar, como colocar outdoors junto do local do evento, de modo a que os espectadores os vejam ao chegar ou oferecer t-shirts ou bonés à porta, para que os espectadores as vistam e a marca seja vista no local do evento.

Do ponto de vista dos patrocinadores, algumas são as medidas que podem ser tomadas para evitar serem “emboscados”, como acrescentar determinados detalhes nos seus contratos com as organizações dos eventos. No entanto, “potential sponsors need to recognise that they will never be able to control rivals’ actions. If competitors embark on a campaign that could confuse consumers, marketers need also to recognise that any recourse they might have will be determined through the relevant legal systems.” (Dean Crow e Janet Hoek, 2003).

Resumindo, podemos apontar algumas vantagens e desvantagens da utilização do Marketing de Emboscada:

Vantagens
- Custos Reduzidos;
- Associação da marca a valores específicos percebidos pelos consumidores como os valores do evento;
- Possibilidade de ampla exposição da marca;
- Cobertura mediática;
- Acesso a um público-alvo específico;
- Elevada notoriedade.

Desvantagens
- Provocação da concorrência e possível resposta;
- Técnica vista como não ética;
- Possível fracasso na associação da marca ao evento, por exemplo, se o patrocinador oficial conseguir impor-se;
- Legislação pode dificultar a acção.


Seguimos então, com alguns exemplos de Marketing de emboscada.


Exemplo: Olimpíadas de 1996 - Nike
Nas Olimpíadas de 1996, em Pequim, o patrocinador oficial era a Reebok, certamente investindo largas quantias de dinheiro para tal. Contudo, na última noite da Cerimónia de Abertura, aparece o CEO da Nike, vindo de pára-quedas, de tocha na mão para acender a chama Olímpica. Segundo consta, no dia seguinte, apenas se falava da Nike e ninguém falava da Reebok.


Exemplo: Pela K-Swiss



Exemplo: Um anúncio interessante da Heineken




Exemplo: 9MM - Ambush Marketing na Maratona de SP



Este video é muito interessante, pois apesar de não se tratar de uma promoção de uma marca é um aproveitamento de um evento para passar uma mensagem.


Exemplo: 1998 FIFA World Cup - Nike

Apesar da Adidas ser a patrocinadora oficial da FIFA 1998, a Nike decidiu patrocinar individualmente algumas equipas.




Exemplo: Euro 2008 - Sagres



Mas o patrocinador oficial era a Super Bock




Exemplo: Copa 2006 - Nike
O Ronaldinho Gaúcho aparece com uma faixa da Nike na cabeça. O patrocinador oficial era a Adidas, contudo esse foi um momento tão mediático que a Nike acabou por conseguir ficar na memória dos espectadores.



Bibliografia
CROW, Dean e HOEK, Janet, “Ambush Marketing: A Critical Review and Some Practical Advice”, Marketing Bulletin, 2003, 14, Article 1
http://www.wisegeek.com/what-is-ambush-marketing.htm
http://www.doshdosh.com/ambush-marketing-the-art-of-diverting-attention/
http://subestagiarios.blogspot.com/2008/07/fui-pego-em-marketing-de-emboscada.html
http://www.optimum7.com/internet-marketing/sem/what-is-ambush-marketing.html
http://invertia.terra.com.br/publi_news/interna/0,,OI2671123-EI10371,00.html
www.youtube.com

sábado, 6 de março de 2010

meu mood board


Esquematizo, observo, organizo, amo a liberdade, esquematizo e imagino, esquematizo, perco-me na beleza da matemática, esquematizo o poder das flores, esquematizo as cores, esquematizo, clean vs 70's, esquematizo, apaixono-me, esquematizo, "This is the end", do quê? Esquematizo e deixo que o mar me leve.




Este é o meu primeiro mood board. Experimentem fazê-lo, é divertido! :)

Uma excelente forma de aprender a fazer mood boards é começar por se fazer um acerca de nós.
Poderia fazer muitos e de diversas formas, coisas completamente diferentes poderiam ter nascido deste momento criativo. Mas este foi o que surgiu. Este é o meu mood board.

mood board criminal?

Não sei se os teóricos que estudam mood boards poderiam classificar este como um mood board. Pelas minhas pesquisas considero que este quadro, tal como um mood board é um excelente auxiliar de raciocínio, de organizador do pensamento e de facilitador de construção de uma estratégia.

Este quadro é elaborado na série DEXTER para ajudar na captura de um assassino em série, baptizado de Trinity Killer. Imagens das várias vítimas mortas, organizadas por datas e locais, num quadro onde se poderão juntar notas importantes ou quaisquer outras pistas que se encontrem, ajuda os vários investigadores a pensar sobre o assunto e mesmo a ter ideias criativas que os faça percepcionar a questão de outro prisma, ajudando na investigação.

mais um...

É interessante ver os mood boards de outras pessoas pois cada um percepciona o que vê de formas diferentes. Este mood board para mim poderia exprimir duas palavras: requinte natural.

Natural pelas várias formas de vida representadas. Formas do mar que também transmitem serenidade. Requinte, pelos pormenores de cada uma destas formas. Para além das formas naturais observamos requinte nos elementos decorativos.

As texturas e diferentes materiais usados podem ajudar a exprimir as sensações e emoções que queremos transmitir.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mais exemplos de mood boards

Youth fashion store

Desportos radicais, juventude, dinâmica, risco, num ambiente alternativo. São as palavras que me são são sugeridas ao olhar para este mood board.














Studio flat

Formas geométricas + cores neutras + vermelho + luz = design, modernidade, arquitectura.















Student bar

Explosão, álcool, variedade, texturas e vivências diferentes, formas diferentes de ver as mesmas coisas, juventude.














Museum shop

Arte sacra, maravilhas do mundo, representatividade e unicidade.

Exemplos de mood boards



















Ambos exemplos de mood boards para a moda. Cores e texturas predominam nestes quadros.

Mood Board?

Um mood board é uma ferramenta que permite, num quadro físico ou digital coleccionar ideias, sensações ou sentimentos, de modo a auxiliar o processo criativo. Tal como as palavras indicam, são quadros que exprimem um estado temporário da nossa mente, uma atmosfera, um sentimento ou estado de humor.

Trata-se de uma técnica útil para organizar e facilitar o pensamento criativo, à medida que as ideias vão surgindo. A captura da essência pode ser feita com recortes, objectos, imagens, texturas, letras, cores, efeitos, luzes, tudo o que possa expressar uma ideia.

Através da organização da informação, a combinação de todas essas ideias permite ter uma percepção mais ampla e geral do caminho a seguir e inspirar ao longo de um processo criativo. “A MB defines and communicates the direction for a design project.” (Lucero Vera, 2009).

Tal como afirma Taís Vieira, em “Mood board - Um instrumento visual de apoio aos projetos de design”, é uma “ferramenta essencialmente visual que vem sendo utilizada pelo Design Estratégico devido à habilidade de atuar como um mecanismo facilitador do pensamento. Segundo estudos, o mood board auxilia na definição e no direcionamento das ideias surgidas durante um processo de projeto graças às imagens que ele sustenta.

Esta ferramenta é geralmente utilizada estrategicamente por designers gráficos, publicitários, em filmes, teatro, videojogos, pintura, escultura, música ou moda e serve normalmente como ponto de partida, ou seja, na fase inicial de um projecto. Comummente serve para fixar os pilares desse projecto, sobre os quais será desenvolvido.

Quando se constrói um mood board, faz-se um investimento de tempo na sua elaboração, é por isso importante aproveitar todas as suas potencialidades: não só usá-lo como objecto inspirador para a criação de algo como também para consultá-lo ao longo do projecto, de modo a não ter surpresas futuras do projecto se ter desviado do objectivo inicial.

Por um lado, esta ferramenta pode permitir aos criativos responder às percepções do brief, assim que as ideias vão surgindo e enquanto são desenvolvidas, estimulando um diálogo interior. Por outro lado, pode ser excelente para o cliente dar feedback da ideia geral, antes da criação efectiva, evitando assim desperdício de tempo. O mood board é então, um facilitador da comunicação e pode mesmo ainda ser construído pelo cliente de modo a indicar um contexto, sem ser por palavras, que muitas vezes conseguem exprimir menos que imagens e cores.

Um dos designers profissionais participantes no estudo de Lucero Vera, 2009, afirmava: “we cannot read their mind. Clients transmit their ideas through words. The meaning behind those words is not important; it is the idea they are trying to express which is important. The impressions on the keywords for the designer may be totally different for the client. Therefore, we need to find some level of understanding on what is actually meant.”

Para a elaboração de um mood board poderão ser seguidos os seguintes passos:
• Coleccionar imagens, texturas e cores, física ou digitalmente;
• Dispor as recolhas num quadro;
• Remover quaisquer elementos que destoem do conjunto;
• Ir utilizando a ferramenta para inspirar, organizar e conduzir a criatividade.

Os mood boards são tão importantes para o processo criativo que têm vindo a ser desenvolvidas aplicações informáticas, que permitem a construção de mood boards digitais. Estas aplicações, numa realidade aumentada, permitem uma maior rapidez de acesso às imagens, entre outras vantagens, e vários têm sido os estudos para perceber as potencialidades das mesmas. (Andrés Lucero)

Resumindo, podemos apontar algumas vantagens e desvantagens da utilização de mood boards:

Vantagens:

- Organização do pensamento;
- Elementos inspiradores;
- Facilitação na comunicação com o cliente – tal como Andrés Lucero, Dima Aliakseyeu e Jean-Bernard Martens afirmam, num estudo realizado acerca de mood boards digitais: “Designers use mood boards to explore, communicate, and discuss ideas together with their clients.”;
- Indicação não só para o início de um trabalho mas para que o criativo não se afaste do padrão original que traçou, ao longo do mesmo;
- Poder exprimir ideias, à medida que elas surgem, sem ser por palavras;
- Estudos que mostram o quanto o criativo se diverte a fazer um mood board.

Desvantagens:
- O tempo que se despende a realizar.


Os mood boards podem servir não só em termos profissionais como pessoais, por exemplo, para decorar uma casa ou para nos conhecermos mais a nós próprios.

Pessoalmente penso que os mood boards são ainda mais gerais no seu âmbito, possibilitando a organização do pensamento não só em actividades criativas mas noutras, como em investigação policial. Quem até agora nunca viu em filmes ou séries, os investigadores a fazerem um mood board do assassino, com os seus passos, com as suas ligações a outras pessoas ou com as suas vítimas? Isto porque ajuda na esquematização da informação e, enquanto se observa, podem surgir ideias chave que permitem a resolução de um problema.


Bibliografia:

VERA, ANDRES LUCERO, Co-designing interactive spaces for and with designers: supporting mood-board making, Gummerus Printing, 2009, Finland;

http://www.ilikecake.net/hci/envisionment/moodboards.htm
http://www3.interscience.wiley.com/journal/120098293/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0
http://www.vip.id.tue.nl/papers/alucero06_tabletop.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/Mood_board
http://abcdesign.com.br/design-de-produto/mood-board-um-instrumento-visual-de-apoio-aos-projetos-de-design/
http://www.wisegeek.com/what-is-a-mood-board.htm
http://www.design-skills.org/mood_boards.html
http://www.stuffandnonsense.co.uk/archives/design_mood-boards.html
http://www.fashion-era.com/Trends_2006/fashion_mood_board_colours_2005.htm
http://forums.thefashionspot.com/f90/mood-boards-scrapbooks-2939.html
http://www.from-the-couch.com/post.cfm/title/creating-an-effective-mood-board
http://www.mostinspired.com/blog/2009/09/16/mood-board-101-branding-and-image-development/