Um mood board é uma ferramenta que permite, num quadro físico ou digital coleccionar ideias, sensações ou sentimentos, de modo a auxiliar o processo criativo. Tal como as palavras indicam, são quadros que exprimem um estado temporário da nossa mente, uma atmosfera, um sentimento ou estado de humor.
Trata-se de uma técnica útil para organizar e facilitar o pensamento criativo, à medida que as ideias vão surgindo. A captura da essência pode ser feita com recortes, objectos, imagens, texturas, letras, cores, efeitos, luzes, tudo o que possa expressar uma ideia.
Através da organização da informação, a combinação de todas essas ideias permite ter uma percepção mais ampla e geral do caminho a seguir e inspirar ao longo de um processo criativo. “A MB defines and communicates the direction for a design project.” (Lucero Vera, 2009).
Tal como afirma Taís Vieira, em “Mood board - Um instrumento visual de apoio aos projetos de design”, é uma “ferramenta essencialmente visual que vem sendo utilizada pelo Design Estratégico devido à habilidade de atuar como um mecanismo facilitador do pensamento. Segundo estudos, o mood board auxilia na definição e no direcionamento das ideias surgidas durante um processo de projeto graças às imagens que ele sustenta.”
Esta ferramenta é geralmente utilizada estrategicamente por designers gráficos, publicitários, em filmes, teatro, videojogos, pintura, escultura, música ou moda e serve normalmente como ponto de partida, ou seja, na fase inicial de um projecto. Comummente serve para fixar os pilares desse projecto, sobre os quais será desenvolvido.
Quando se constrói um mood board, faz-se um investimento de tempo na sua elaboração, é por isso importante aproveitar todas as suas potencialidades: não só usá-lo como objecto inspirador para a criação de algo como também para consultá-lo ao longo do projecto, de modo a não ter surpresas futuras do projecto se ter desviado do objectivo inicial.
Por um lado, esta ferramenta pode permitir aos criativos responder às percepções do brief, assim que as ideias vão surgindo e enquanto são desenvolvidas, estimulando um diálogo interior. Por outro lado, pode ser excelente para o cliente dar feedback da ideia geral, antes da criação efectiva, evitando assim desperdício de tempo. O mood board é então, um facilitador da comunicação e pode mesmo ainda ser construído pelo cliente de modo a indicar um contexto, sem ser por palavras, que muitas vezes conseguem exprimir menos que imagens e cores.
Um dos designers profissionais participantes no estudo de Lucero Vera, 2009, afirmava: “we cannot read their mind. Clients transmit their ideas through words. The meaning behind those words is not important; it is the idea they are trying to express which is important. The impressions on the keywords for the designer may be totally different for the client. Therefore, we need to find some level of understanding on what is actually meant.”
Para a elaboração de um mood board poderão ser seguidos os seguintes passos:
• Coleccionar imagens, texturas e cores, física ou digitalmente;
• Dispor as recolhas num quadro;
• Remover quaisquer elementos que destoem do conjunto;
• Ir utilizando a ferramenta para inspirar, organizar e conduzir a criatividade.
Os mood boards são tão importantes para o processo criativo que têm vindo a ser desenvolvidas aplicações informáticas, que permitem a construção de mood boards digitais. Estas aplicações, numa realidade aumentada, permitem uma maior rapidez de acesso às imagens, entre outras vantagens, e vários têm sido os estudos para perceber as potencialidades das mesmas. (Andrés Lucero)
Resumindo, podemos apontar algumas vantagens e desvantagens da utilização de mood boards:
Vantagens:
- Organização do pensamento;
- Elementos inspiradores;
- Facilitação na comunicação com o cliente – tal como Andrés Lucero, Dima Aliakseyeu e Jean-Bernard Martens afirmam, num estudo realizado acerca de mood boards digitais: “Designers use mood boards to explore, communicate, and discuss ideas together with their clients.”;
- Indicação não só para o início de um trabalho mas para que o criativo não se afaste do padrão original que traçou, ao longo do mesmo;
- Poder exprimir ideias, à medida que elas surgem, sem ser por palavras;
- Estudos que mostram o quanto o criativo se diverte a fazer um mood board.
Desvantagens:
- O tempo que se despende a realizar.
Os mood boards podem servir não só em termos profissionais como pessoais, por exemplo, para decorar uma casa ou para nos conhecermos mais a nós próprios.
Pessoalmente penso que os mood boards são ainda mais gerais no seu âmbito, possibilitando a organização do pensamento não só em actividades criativas mas noutras, como em investigação policial. Quem até agora nunca viu em filmes ou séries, os investigadores a fazerem um mood board do assassino, com os seus passos, com as suas ligações a outras pessoas ou com as suas vítimas? Isto porque ajuda na esquematização da informação e, enquanto se observa, podem surgir ideias chave que permitem a resolução de um problema.
Bibliografia:
VERA, ANDRES LUCERO, Co-designing interactive spaces for and with designers: supporting mood-board making, Gummerus Printing, 2009, Finland;
http://www.ilikecake.net/hci/envisionment/moodboards.htm
http://www3.interscience.wiley.com/journal/120098293/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0
http://www.vip.id.tue.nl/papers/alucero06_tabletop.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/Mood_board
http://abcdesign.com.br/design-de-produto/mood-board-um-instrumento-visual-de-apoio-aos-projetos-de-design/
http://www.wisegeek.com/what-is-a-mood-board.htm
http://www.design-skills.org/mood_boards.html
http://www.stuffandnonsense.co.uk/archives/design_mood-boards.html
http://www.fashion-era.com/Trends_2006/fashion_mood_board_colours_2005.htm
http://forums.thefashionspot.com/f90/mood-boards-scrapbooks-2939.html
http://www.from-the-couch.com/post.cfm/title/creating-an-effective-mood-board
http://www.mostinspired.com/blog/2009/09/16/mood-board-101-branding-and-image-development/
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